Empresas tratam esgoto e conseguem reutilizar a água
Para enfrentar a seca no Sudeste, algumas empresas desenvolveram uma estratégia de baixo custo: tratar o próprio esgoto e reutilizar a água.
A água de reuso já é um bom negócio, especialmente em São Paulo, castigada por uma das piores estiagens da história. É o caso de uma locadora de roupas e toalhas para salões de beleza, onde lavam-se 2 milhões de peças por mês. Para isso, é preciso muita água: 20 mil litros por dia. A solução foi reaproveitar a água despejada pelas máquinas.
No espaço pequenininho nos fundos da empresa, com apenas 7 metros quadrados, é suficiente para abrigar uma miniestação completa de tratamento de esgotos.
A água ensaboada da lavanderia é filtrada e se transforma em água de reuso. Essa é a etapa final do tratamento. A água é devolvida às máquinas de lavagem, com menos custo e menos desperdício para a empresa. O investimento foi de R$ 80 mil. A água reutilizada aliviou as contas da empresa.
“Eu gastava uma média de R$ 8 mil por mês para a manutenção da minha água e hoje eu estou gastando entre os produtos químicos, o tratamento, eu estou gastando R$ 3 mil. Então, se você fizer um cálculo bem rápido, eu estou levando uma vantagem de R$ 5 mil por mês”, conta Adolfo Buttler, dono da lavanderia.
Uma parte importante do processo de tratamento de esgoto dentro da empresa é o lodo residual, que é aquilo que é retido pelos filtros e tem uma cor acinzentada. O lodo do afluente de tratamento em estado semi-sólido tem uma porcentagem significativa de água. Não é um resíduo perigoso.
Quando esse resíduo está seco, como ele tem 90% de algodão, pode servir como biomassa e pode ser agregado com artefatos da construção civil fazendo um tijolo ecológico, que é uma das alternativas que eles buscam.
Há sete anos um shopping em São Paulo começou a transformar a água o esgoto que vem dos sanitários e da praça de alimentação. Resultado: a conta de água, que era de R$ 80 mil por mês, caiu para R$ 20 mil. Até o momento já foi possível economizar R$ 2,5 milhões.
"Esse sistema me permite eu consumir 30% a menos de água da rede pública reutilizando a água que tenho aqui internamente no shopping e que normalmente seria descartada", diz Ricardo Gonçalves Omar, gerente de operações do shopping.
No resultado final do tratamento na microestação, a água que é reutilizada no shopping tem uma coloração meio amarelada. Mas, para evitar o risco de algum cliente ou funcionário fazer uso dessa água como água potável, eles têm o cuidado de misturar um corante da cor azul para que o resultado final fique com a coloração meio azul esverdeada que a água de reúso que circula pelo shopping.
Ninguém estranha o uso dessa água na limpeza do shopping, nos equipamentos ou no ar condicionado. Mas, e nos banheiros?
"Estranhei até o momento em que eu tive que fazer o trabalho da escola que eu descobri o porquê que era daquela cor. Sobre o reúso da água. Eu fiz sobre o shopping e levei uma nota muito boa por isso", afirma a balconista Cristina Domingues.
Uma fábrica de remédios em Itapevi, na Grande São Paulo, produz 9 milhões de litros da água de reúso por mês. O que não é usado na indústria é doado para a prefeitura local para limpar ruas e regar canteiros.
"Nós disponibilizamos durante um ano cerca de 220 mil litros de água e esse recurso nós temos a intenção de aumentar gradativamente conforme nós aumentarmos o volume nosso de tratamento", explica Isamara Garcia Freitas, gerente de gestão ambiental.
Na coluna Sustentável, já foi mostrado o maior projeto de água de reuso da América Latina. É o Projeto Aquapolo, uma parceria da Sabesp, a companhia de águas e esgoto de São Paulo com a iniciativa privada, que distribui água de reuso para 10 fábricas da região do ABC.
http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2014/09/empresas-tratam-esgoto-e-conseguem-reutilizar-agua.html